Exemplos – Poesia Parnasiana

Vaso Chinês

Estranho mimo, aquele vaso! Vi-o
Casualmente, uma vez, de um perfumado
Contador sobre o mármor luzidio,
Entre um leque e o começo de um bordado.

Fino artista chinês, enamorado
Nele pusera o coração doentio
Em rubras flores de um sutil lavrado,
Na tinta ardente, de um calor sombrio.

Mas, talvez por contraste à desventura –
Quem o sabe? – de um velho mandarim
Também lá estava a singular figura:

Que arte, em pintá-la! A gente acaso vendo-a
Sentia um não sei quê com aquele chim
De olhos cortados à feição de amêndoa.

Alberto de Oliveira

A Cavalgada

A lua banha a solitária estrada.
Silêncio! … Mais além, confuso e brando,
O som longínquo vem se aproximando
Do galopar de estranha cavalgada.

São fidalgos que voltam da calçada;
Vêm alegres, vêm rindo, vêm cantando,
E as tropas a soar vão agitando
O remanso da noite embalsamada…

E o bosque estala, move-se, estremece…
Da cavalgada o estrépito que aumenta
Perde-se após no centro da montanha.

E o silêncio outra vez soturno desce…
E límpida, sem mácula, alvacenta,
A lua a estrada solitária banha…

Raimundo Correia

Via láctea

“Ora (direis) ouvir estrelas! Certo

Perdeste o senso!” Eu vos direi, no entanto,
Que para ouvi-las, muita vez desperto
E abro as janelas, pálido de espanto…

E conversamos toda a noite, enquanto
A via láctea, como um pálio aberto,
Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.

Direis agora: “Tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizem, quando estão contigo?”

E eu vos direi: “Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas.”

Olavo Bilac

Postado por Bianca Pereira

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Poesia Parnasiana

A poesia parnasiana é objetiva, descritiva e materialista, sem vínculo com a realidade. Outras características são a alienação, o rigor formal, a busca pela perfeição, a inspiração na Antigüidade clássica, a sensualidade, a presença de mitologia pagã e o uso de uma linguagem rebuscada.

Os principais representantes são:

OLAVO BILAC – apresentou poesias de temas variados, como o lirismo amoroso, a morte, a velhice, a existência humana, além da História Antiga e do Brasil. Conhecido como o “principe dos poetas brasileiros”.
obras: “Via Láctea”, “Sarças de Fogo”.

ALBERTO DE OLIVEIRA – o “mais parnasiano”; escreveu poemas sentimentais, descritivos e satíricos.
obras: “Vaso Grego”, “Vaso Chinês”, “Obras Parnasianas”.

RAIMUNDO CORREIA – suas obras apresentam reflexões de ordem moral e social, com versos pessimistas e filosóficos.
obras: “As Pombas”, “A Cavalgada”.

Postado por Raisa Anibal

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